terça-feira, 24 de abril de 2012
Fevereiro tem carnaval.
Quando juntei os textos que havia escrito nos últimos meses percebi o abismo em que havia me jogado. Sem medo nenhum, não tinha frase de efeito capaz de me trancar em casa quando o que eu mais queria era correr para os seus braços, reservados alguns dias da semana pra mim. Te dividir não era o problema principal, seu sorriso conseguia mascarar qualquer vestígio de realidade que teimava sair de mim. Então, ler o que por algum tempo o que eu tinha vontade de gritar olhando pra você me mostrou que não há sentido nas boas intenções, não há sentido nos amores que começam tortos e por meses tentamos colocar na forma linear de viver.
Por isso eu guardei em uma caixinha a embalagem do picolé que você me deu no dia do meu aniversário, o presente que nunca ousei entregar e a meia que um dia foi esquecida por aqui. Você mal sabe que as vezes sai desfilando por aí com um pé que era meu. Quanta ironia: tirou meu chão e deixou o pé de uma meia no lugar. Guardei com carinho, junto com os textos que fiz pra você e quero te mostrar daqui uns anos.
Eu sei que naquele fevereiro, época em que todas minhas amigas decidiram ir pra um carnaval de rua eu preferi ficar na minha casa - coisa que nenhum namorado de quatro anos conseguiu fazer - tive a certeza de que era o momento de sair correndo, não me acharia covarde por isso, fui até o meu último beijo, nossa última noite. Eu chorava e você fingia não ver, não se importava com o que seria de nós 12 horas depois. Talvez porque você nunca me enxergou como uma pessoa muito normal, talvez porque você quebrou a rotina que eu vivia desde que me entendia por menina bonitinha do colégio: a história dos caras loucos por mim. Aí você me aparece, todo sorridente, independente e galã, provando que era hora de chorar um pouquinho pelos tantos que fiz chorar. Provando que a paixão confunde, faz surtar, sai do controle. Foi nesse mês de carnaval que tive a certeza de que folia nenhuma era capaz de me fazer sorrir. Foi nesse mês que eu cansei de brincar de carnaval todos os dias.
E assim, como toda boa menina, aceitei a condição de que era hora de pensar como mulher.
Tarde demais para você. Cedo demais pra mim.
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