quarta-feira, 23 de maio de 2012
Dias
E então se passaram quase dois meses, pra ser mais exata: 47 dias. E eu me culpo por querer ter você deitado aqui comigo só mais um pouquinho, me olhando como se quisesse desvendar tudo que escondi por medo de te assustar. É essa saudade de sentir que as noites podem ser preenchidas com algum vazio, que a ansiedade tem lá seu charme e que sofrer nos mostra o quanto estamos vivos. É como se eu estivesse morta, intacta, olhando para essas paredes que um dia viram o melhor e o pior de nós. Jantares românticos adiados por causa do seu futebol, vestidos jogados na minha cama das noites em que você sumiu, brigas intermináveis por querer proteger o outro sem nunca assumir que era ciúme, brigas recompensadas com um beijo que poderia ser eterno, sorrisos de um amor que implorava para ser expelido. E guardá-lo me deixou embrulhada, vomitei em cima de você as minhas piores palavras, quando o que eu mais queria era te abraçar e pedir que não me abandonasse rápido assim. Queria esconder todo esse orgulho bobo e te amar mais uma vez, acordar ao seu lado ou esperar a ligação que por muitos dias não chegava. Tomei doses de vodca esperando que a falta de lucidez me tirasse esse sentimento complicado, virei copos de cerveja pra quem sabe, dar algumas risadas com outras pessoas que não fossem você. Imaginei drinks onde colocaria o gosto do seu beijo quando acorda, sua euforia ao sair de casa, seu silêncio ao me ver triste, o cheiro do seu corpo e de quebra, o efeito que tudo vindo de você causava em mim. Me perdi tentando achar o nosso lugar, a nossa solução. Escrevi os textos mais doloridos por não conseguir explicar a ninguém o que se passava dentro de mim, por justificar o que acontecia dentro de você. Contava minha visão de tudo para minhas amigas não me acharem uma babaca sentimental, pra fazê-las entender o motivo de te dar mais uma, duas, doze chances...
E hoje fico triste por ter que crescer e entender essa transição. Talvez porque ainda esteja presa, talvez porque a dificuldade em passar de fase está na minha imaturidade constante. É agora que eu queria que minha memória fraca entrasse em ação. Mas como esquecer quem despertou o desconhecido em mim? Como me encontrar se eu não me reconheço sem ti? Você caminha em passos tão largos que fica impossível tentar te resgatar.
E agora, olho pro relógio e vejo que já são 48 dias, tudo passa rápido e eu não devo mais tentar parar o relógio até que você resolva organizar seu tempo e suas vontades. Eu sempre pedi a Deus antes de dormi que ele colocasse coisas boas, lindas e puras na minha vida. Quem sou eu pra querer voltar pra algo que não é mais assim?
Vou caminhando pra frente, mesmo que a pé, devagarzinho...
(Dos textos que eu prometi nunca mostrar pra você.)
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