quarta-feira, 11 de julho de 2012
Novas histórias
Sofremos porque vivem tentando impor o modelo de vida perfeita. Desde pequena eu me lembro de todos falando pra tomar cuidado com os homens que não valiam nada, pra procurar um homem trabalhador, de família e que fosse o ideal pra procriar, casar, amar. Cheguei a desistir de fazer festa de 15 anos porque não tinha o meu príncipe, muito menos meu pai. Era frustração demais pra uma menina assumir pra cidade inteira a sua solidão. Nenhum vestido cor-de-rosa seria capaz de esconder o meu sorriso amarelo e vazio. Levei comigo os traumas da minha mãe. Logo ela, uma pessoa tão boa, inteligente e que teve na sua vida homens de todos os tipos teve seu coração dilacerado. A cada relacionamento era um pouco de esperança que ela ia perdendo e junto dela, perdi as minhas também. Com isso aprendi a ver a vida com outros olhos, sem a necessidade do “foram felizes para sempre” que eu lia nos livros daquela biblioteca gelada e silenciosa. Que dure um dia, mas que seja bom, que seja mágico. Precisamos de escritores com novas histórias, mais reais e não menos interessantes. Eu por exemplo, fico indignada com a Cinderela que perdeu seu sapato na festa e assim, encontrou seu príncipe. Uma mulher de verdade nunca perderia o seu sapato. A Branca de Neve mordeu uma maçã, mas hoje em dia seria mais normal tomar alguma poção mágica dentro de alguma festa em algum lugar. Já a história da Chapeuzinho Vermelho é um pouco mais coerente. Tem tanto lobo mau por aí. A única diferença é que nem sempre ele acaba morto. Mas sobre o “foram felizes para sempre” eu já me acostumei. Não é assim.
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