quarta-feira, 27 de março de 2013

A volta dos que não foram


Queria que tivesse sido um sonho, Fernando não poderia ter dormido aqui em casa hoje. Eu poderia ter pensado em várias formas de tentar de novo, fazer tudo certo, essa não era a imagem que queria passar.

Eu imaginei dois meninos loiros correndo, nossa casa na praia e o Fê olhando pra mim com a mesma cara de sono de quando nos conhecemos. Mas o que ele sentia agora era raiva. Raiva misturada com nojo.

Eu já sabia que não nos casaríamos mais.

Eu já sabia que ia dar tudo errado mais uma vez.

Mas o amor fala mais alto. Deve ser por isso que não conseguimos conversar sobre nada sério quando nos encontramos. Deve ser por isso que não dá pra ouvir você contando sobre a tal da Mara, Marina, sei lá o nome dela, com total naturalidade.

É porque eu lembro até do seu ritual de acordar, tomar banho e ir trabalhar. Eu continuava dormindo na nossa cama no chão e acendia um cigarro.  Tem mais de anos que você levou suas roupas e nossas lembranças e eu não consigo levantar sem entrar de baixo do chuveiro.

Hoje eu vejo que nunca discutimos por nada que fosse relevante, você foi uma das pessoas mais pacientes que eu já tive na vida. 

Só nos faltou ser um casal.

Eu não sei se o distanciamento vai ser a solução pra tudo. Na verdade tenho certeza que não.

Mas eu ouvi o que queria ter ouvido desde os primeiros meses em que nos conhecemos e eu já sentia amor. Você me disse eu te amo. E isso fez tudo valer a pena.

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