É assim mesmo. O tempo passa e a gente fica mais boba ainda. Em outrora por paixão, garotos, a saudade de casa. Agora por não ter um beijo sequer que me tire dessa estagnação. A minha cama, minhas manias, minha cerveja no mesmo bar de sempre, com os mesmos assuntos e o horário fixo pra voltar pra casa. Talvez seja uma das coisas que eu mais tivesse medo que acontecesse. A Letícia morreu - e não há amor antigo que faça viver de novo.
Minha mãe sempre perguntava onde era o pote em que eu buscava tanta energia pra viver daquele jeito. São vinte anos de fama de menina sem limites. Pra mim amor só era amor se tivesse noites em claro, discussões eternas e vestidos jogado no chão. Agora eu não quero nada, nem esse telefonema a tarde pra perguntar se eu vi o quanto o céu está bonito. Esses romantismos baratos não me convencem mais. Sou formada em formular frases de efeito. Mas vivê-las não é comigo mais.
Se foi embora, acabou, deu o que tinha que dar. Vai mesmo. Nunca me importei de perder o celular, o cartão de crédito ou algum semestre na faculdade. Quem sou eu pra me importar pra onde o outro vai? Nem eu sei pra onde estou indo. Não quero você, nem ele, nem ninguém. E descobrir que no fundo eu sempre fui fria tira o meu áudio suicida das prioridades. Me dá um outro motivo pra viver. Eu sabia que os romances que a minha mãe lia pra mim não eram pro meu bico. Hoje entendo que era uma forma de deixar o mundo mais colorido, mais amável, mais habitável. Mas ser essa fonte insecável cansa. Tornei-me um de vocês.
Pra quem me viu virar noites, desabafar 5 horas diretas, derramar várias lágrimas, eu digo: O espetáculo acabou. Eu só quero o que tenho mesmo: trabalho, cama, alguns amigos e o bom e velho cantina da serra gelado. Hoje ele desce de forma mais moderada, nem sequer desperta algum demônio em mim.
Entendam. Vocês são os culpados por isso acontecer.
Entendi. Eu nunca deveria ter sido uma menina cor de rosa que só queria amar.
Afinal, o que é o amor senão algo que inventamos pra preencher o que não conseguimos dar a nós mesmos?
segunda-feira, 15 de abril de 2013
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