sábado, 5 de abril de 2008
empoeirado
Arrumando algumas gavetas encontrei tudo que me fazia lembrar você. Era como se ao abri-las saísse sua voz, seu cheiro, seu rosto. Tudo entrava de forma rápida e incontrolável na minha mente. Desde o primeiro bilhetinho que você me entregou ainda meio envergonhado até a bala que você me deu naquele último dia. Revirei além de fotografias empoeiradas um canto sensível do meu coração e eu ficava emocionada com o que eu via. Despertava em mim uma dor de cabeça chata, lembrava do ciúme me alfinetando. Você sempre desenhando maluquices para os meus olhos e eu os colorindo com ódio. Como em um ensaio, tentando não enxergar o seu melhor, percebi a parte mais podre de mim. Preferia acreditar que com o tempo você se cobriria de pó também. Que com o tempo, você se esconderia no passado, e ele te pintaria com o esquecimento. Aprendi a andar mesmo sem equilíbrio, seguindo sua linha reta, rabiscada de giz no asfalto. Você riscou o caminho e os meus pés a apagaram. Agora não lembro a estrada de volta para os seus braços, mas pode apostar, não estou perdida.
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