quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

falecido.com

Estava num canto, parecia morto. Morto e embriagado. Nem por um minuto me deu o prazer de parecer que morreu feliz. Enquanto eu gastava minhas cordas vocais invocando toda minha felicidade para que o morto risse de qualquer coisa. E nada, nada do morto rir. A última esperança era minhas tentativas frustradas, eu tirava tantos sorrisos dele, ele tirava tantos de mim e agora nada. Deveria ser o tipo de pessoa que em vida ria, ria e ria dos outros, que dramatizava os acontecimentos e não se entregava em romance nenhum. As pessoas iam bebendo e jogando conversa fora. A noite não poderia ser melhor pra mim. Eu estava tão viva que até o rosa das minhas bochechas me entregava. E o morto continuou mais morto que antes.

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