quarta-feira, 23 de maio de 2012
Moderninha.
Minha mãe riu quando contei partes da minha conversa com a Dra. Helena. Realmente ela não consegue imaginar que sua princesinha é uma mulher (e pior do que isso, mulher moderna). Mamãe me lembrou das conversas que eu tinha a respeito de um possível casamento e filhos correndo pela casa. Sonhos de uma família feliz trocados por vontade de ser independente. Reflexos de alguns momentos que vivi dentro de casa e percebi o quanto uma vida dependente pode acabar com a auto estima, poder de compra e felicidade.
Por isso, acordo às 7:00 e já começo a contar os minutos porque não posso perder o ônibus. Escolho alguma roupa que caia bem e seja apresentável para o ambiente de trabalho. Passo uma maquiagem que dure até o final do dia com ar de saudável. No café da manhã corrido, como alguma coisa que seja saudável e acrescento linhaça, recomendação da minha nutricionista.
Qualquer atraso pode ser fatal, pois o motorista não quer saber das minhas frescuras femininas e acelera o ônibus sem dó pra conseguir cumprir o trecho no horário.
O trabalho é moderninho, mas não deixa de ser trabalho. Publicidade, consumo, arte, seres humanos, computadores mais rápidos do que meu cérebro precisa e pressão de todas as partes. O mundo quer dinheiro. A minha bolsa grande tem que levar de tudo um pouco, nunca sei quando os famosos dias de menina irão chegar e as empresas não entendem quando estou de TPM. Qualquer falta de controle emocional, mesmo que justificado, pode ser fatal. Tenho que manter o foco sem perder a elegância. Deve ser por isso que dou um toque bem humorado nas coisas que faço. Não posso me permitir perder a doçura no meio de um ambiente muitas vezes, frio.
O almoço é corrido mas tira algumas risadas. Tenho que pensar nas calorias, no job que me espera, no prazo, nos amores, na organização do meu quarto e nas roupas que preciso lavar quando chegar em casa. Uma hora nunca é o suficiente para planejar com sucesso todas tarefas. Quando bato o ponto e penso que estou livre, é hora de começar tudo de novo. Chego atrasada na faculdade mas não deixo de comprar algumas flores pelo caminho. Ainda tenho que dar carinho pra quem eu gosto, contar as novidades, ouvir desabafos e ler os livros que comprei na última semana. Ouço algumas músicas, sonho...
Acho a vida uma loucura interminável e tenho medo desse relógio acelerado que me acompanha a todo momento. Tiro um tempinho para o happy hour, sem torresmo dessa vez. Queria ter mais tempo pra falar “eu te amo”, pintar a unha e hidratar meu cabelo. Tempo pra ver quem eu gosto e sair desse mundo virtual onde todos falam que ando meio sumida. Tempo pra acordar abraçada com a pessoa que mais amo e faz o melhor suco de laranja do mundo. Mas é assim mesmo, mãe. Eu tornei-me uma mulher moderna.
Que por sorte, tenta nessa correria toda não perder as coisas bonitas que me ensinou. Enquanto o sonho de ser mãe, casar e ter filhos permanece intacto aqui, dentro de mim. Afinal, ser moderna não quer dizer ser completamente racional. Pelo contrário...
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