quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Minha república

Depois de abandonar o sonho de viver no meu aparamento sozinha, com as coisas do meu jeito e ter um espaço só pros meus dramas e neuras, aceitei a condição de morar com mais três melhores amigas. Melhores até o momento em que não roubam meu único pão ou tomam a minha última lata de cerveja gelada. Isso mesmo, cerveja gelada. Porque os nossos planos de adolescente mudam a cada minuto nesse espaço que habitamos. Conseguimos reparar umas nas outras os traços da ingenuidade se perdendo nessa cidade que chamamos de grande.
Crescemos na mesma cidade, frequentamos o mesmo colégio, presenciamos os amores, indecisões e fizemos planos, tantos planos. E aqui, nesse lugar que escolhemos pra ser nosso lar, todo dia existe uma história diferente. Confesso que não há nada mais divertido do que isso. Hoje quando eu acordo, penso que existem mais algumas vidas no mesmo espaço e pra uma pessoa pseudo-independente como eu isso é melhor do que qualquer calmante que me já receitaram. Eu guardei os meus remédios numa caixinha e descobri que a minha bipolaridade tem cura: chamo alguma delas pro divã (geralmente a que vai falar o que eu quero ouvir) e converso, falo, desabafo, falo de novo e choro. Depois de alguns minutos, a naturalidade volta e me pego dando as maiores gargalhadas possíveis. Aí nós damos risadas da situação que se repete desde os nossos quinze anos e percebemos que os motivos não são tão diferentes dos atuais, a forma de lidar com eles que mudou. As definições que tiram nosso sono têm um significado novo a cada dia.
Em busca de desvendar o mundo, fomos a bares, boates, shows, igrejas e praças. Descobrimos músicas magníficas, almoços simples e deliciosos, o valor de uma coca gelada em pleno sábado de manhã.
Eu queria começar a falar dos nossos finais de semana e culpar o domingo que nunca saía daquilo que era. Não tive coragem. Até isso mudou em mim, os domingos, mesmos parados e cheios de nostalgia, são regados de reflexões e declarações de amor. É o dia que nossa esperança renasce, que aproveitamos a vida de um jeito simples e sem expectativas. Quem falou que viver sem elas é ruim? Nossos domingos acontecem.
Assumimos o desafio diário de lidar com as doses de açúcar e o amargo de fazer faculdade, ficar longe da família e ter que abrir mão do nosso animal de estimação. Ahhh a Lisbela viveu tanta coisa em pouco tempo que eu tenho certeza que ela deve estar morrendo de tédio naquele interior.
Nesses anos, a maior descoberta e talvez a mais clichê de todas é que um ser humano não precisa de muito para ser feliz.
E não que vocês sejam pouca coisa...

Até que a loucura de hoje ou a amnésia do dia seguinte tente nos separar. Em vão.

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