terça-feira, 17 de julho de 2012
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Talvez essa cidade que sempre teve o sol forte oscilar com dias terrivelmente gelados e sozinhos tenham levado até Patrícia o conforto de uma cama com cobertor felpudo. Aquelas quatro paredes de um apartamento antigo precisavam de um pouco de solidão. Cessar o movimento intenso de visitas, diminuir as festas, lavar a louça e deixar o divã lotado de roupas em cima conseguiram abafara o calor humano que Francisco levava todos os dias com as suas visitas esporádicas. Por isso que, já tem um tempo que ela corre do amor, de encontros a dois e músicas que possam lembrar os dias que se passaram. Ela só tem uma taça de vidro em casa e tomar a garrafa de vinho no bico cortava todo o ritual desde o início.
De nada adiantava o amor dar alguns sinais pelas ruas e bares. Patrícia nunca se deu muito bem nessas histórias com promessas de dias felizes. Havia descoberto que o cheiro de orvalho que entra pela janela era mais interessante que o perfume de Francisco. Perfume o qual se misturava com o das mulheres que passaram na sua casa antes de ir visitá-la. Fingia estar com o nariz entupido, quando na verdade suas veias estavam paradas, seu sangue é que estava coagulando.
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