segunda-feira, 23 de julho de 2012
Tarde.
Hoje quando chegou em casa e o telefone tocou, Patrícia achou que tivesse esquecido alguma coisa no carro do cara com quem estava saindo nas últimas semanas. Alarme falso. Porque depois de tanto tempo ele resolveu falar “Sinto sua falta.”? Despedir do amor nunca foi tarefa fácil. E insistir para que ele permaneça é mais dolorido ainda. Foi por isso que ela respondeu que sentir falta é normal, mas que era tarde demais praquele cubo de gelo tentar esquentar e derreter um pouquinho. Viraria água. E líquido que combinava com os dois era vodca pura, aquela mais barata e que desce rasgando.
Foi aí que Patrícia percebeu que perder duas horas na madrugada, tinha perdido o sentido. E que o fato dela sempre perder o juízo, tinha perdido a graça. Que covarde. Tantas perdas. Mas como o tempo passou, ela se olhou no espelho e não se reconheceu mais. Até mesmo aqueles sentimentos que pareciam tão sobreviventes eram vulneráveis. O que ela queria agora, sua imaturidade idiota não podia oferecer. Vá embora Leonardo! Pare de gritar na janela palavras que não agradam aos ouvidos daquela moça mais. Os vizinhos não tem nada a ver com isso e precisam trabalhar amanhã. Patrícia também.
Vai dançar, conversar com suas outras opções, inventar algum amor. Pega alguma de suas cortesias pras baladas de alto nível e afogue suas mágoas em uma dose de energético. Só não ouse olhar pra Patrícia com a feição de quem quer cuidar do machucado que causou. Depois que cicatriza não dói. O curativo feito por ela mesma combina com o vestido de tricô e era isso que importava no momento.
Guarda seu egoísmo na gaveta, Léo.
Patrícia não sente raiva, alergia ou tristeza. Ela só não sente mais nada. Simples.
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