A cadeira macia que ali estava desde os meus oito anos, permanece nova e limpa sempre. Como se ninguém a usasse, como se estivesse sempre aconchegante para receber meu corpo frio.
Esses dias questionei, olhando para aqueles olhos grandes e vidrados que eu não entendia o motivo de sempre voltar ali. E foram meus questionamentos tantas vezes desnecessários ou confusos que me faziam permanecer. Virei paciente. Mas se formos pensar no significado de paciente, eu falo com todas as letras que você quem é a minha. Paciência. A minha pergunta e o seu silêncio conturbado, você levanta e sai pra tomar um café, volta e responde superficialmente qualquer coisa. Eu choro por me achar tão boba e pego o lenço na mesinha ao lado. Você permanece intacta e fria, esperando o meu pranto passar. E como você mesmo me ensinou ele passa. Pode demorar uma hora ou um mês, mas ele sempre passa. É esse conforto que eu levo comigo nos dias pesados. E foi por isso que ontem eu te liguei, pra poder ouvir o que eu repito comigo todos os dias: Passa.
Não contive meu sentimento imaturo e enviei uma mensagem. Desnecessária e que entregava o quanto me importo, mesmo quando finjo não me importar. Ele não respondeu. Mas é isso que nos faz seguir adiante, a insegurança aliada à esperança de uma resposta. Comprovo que o silêncio pode traduzir tudo que o outro quer, sem mais. Você me pediu pra não deixar as coisas feias do meu dia a dia levarem o meu lado cor de rosa. A menina cheia de sonhos e romances que mora dentro de mim deve permanecer. Eu também acredito nisso. Por isso adoro quando conto minhas histórias e você ri dizendo o quanto eu sei fantasiar, dar um toque de carinho, de história com final feliz. E como eu sei que o pra sempre não existe evito colocar ponto final. Quase coloco todos os dias. Quase.
Então você me pede pra ir viajar, deixar o rivotril na gaveta e qualquer outro remédio que me fosse fazer dormir. Passei quase três noites acordada e por incrível que pareça, muito feliz. Te mandei uma mensagem agradecendo pela minha lucidez. Só ela foi capaz de me mostrar o mundo de uma maneira mais real. Foi assim que eu vivi fora do meu casulo alguns dias. Me recusei a colocar o caderno e a caneta na mala pra não sentir a necessidade de contar o que passou como quem escreve. Conto como quem viveu.
Nos nossos últimos e caros 50 minutos de conversa, pedi um tempo. Você me falou que eu estou preparada e eu quero muito acreditar nisso.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário